
A Reforma Tributária, cujos efeitos começaram a ser sentidos de fato pelas empresas em 2026, já tem efeitos financeiros sobre muitos micro e pequenos empresários. Diferente de reformas anteriores, o novo modelo de tributação sobre o consumo exige mudanças operacionais, de processos e de decisões – não apenas no cálculo de impostos.
O alerta é de Glaudson Ferreira, especialista da GestãoClick, que alerta para os custos da falta de preparo para a transição. A convivência entre os modelos tributários atual e futuro – que inclui novos tributos como IBS, CBS e Imposto Seletivo –, pode trazer erros de gestão e gerar prejuízos “silenciosos”, reduzindo as margens.
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Para evitar o problema, o especialista lista a seguir seis erros que já afetam as empresas. São eles:
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Continuar precificando com base no modelo atual
Com a chegada do IBS e da CBS e, em alguns casos, do Imposto Seletivo, a carga tributária pode variar conforme o tipo de produto, serviço ou local de consumo. Isso altera a lógica de formação de preços, diz o especialista.
A precificação correta passa de custo, tributo, margem e canal de venda. Especialistas reforçam que a neutralidade fiscal da Reforma é sistêmica, e não individual, o que significa que algumas empresas podem sim ter aumento de carga tributária. Ignorar esse cenário pode resultar em preços defasados, margens negativas e perda de competitividade.
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Confundir gestão financeira com gestão fiscal
Embora estejam conectadas, gestão financeira e fiscal têm objetivos diferentes. Enquanto a primeira cuida do fluxo de caixa, rentabilidade e planejamento de recursos, a segunda é responsável pela conformidade legal, apuração e pagamento de tributos.
Durante a transição, essa distinção se torna mais importante porque haverá convivência de dois sistemas, possíveis ajustes de crédito e recolhimentos maiores no curto prazo. Além disso, as novas regras de crédito e débito fiscal exigem controle rigoroso, pois afetam diretamente o caixa das empresas, alerta Ferreira.
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Ignorar o impacto da tributação no destino das vendas
Empresas que vendem ou prestam serviços para fora do estado de origem enfrentarão uma das maiores mudanças. A lógica de tributação deixa de ser baseada na origem e passa a considerar o destino da operação, ou seja, a tributação no destino é sempre baseada na localização do cliente.
Isso significa que o custo tributário não estará mais ligado apenas a onde a empresa está, mas a quem ela vende, onde vende e como vende. Sem controle por cliente, região, canal e tipo de operação, microempresas podem perder visibilidade dos custos reais e sofrer impactos inesperados no resultado financeiro.
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Não controlar corretamente os créditos na não cumulatividade plena
A não cumulatividade plena promete maior justiça tributária, mas só beneficia empresas que conseguem controlar corretamente seus dados. Muitas microempresas não sabem exatamente o que gera crédito tributário e, por isso, acabam pagando mais impostos do que deveriam.
Para aproveitar os créditos de forma adequada, é essencial ter controle sobre compras, fornecedores, notas fiscais recebidas e correta classificação dos itens. Sem isso, os créditos deixam de ser aproveitados, comprometendo o caixa e anulando possíveis ganhos trazidos pela nova sistemática tributária.
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Manter o estoque desorganizado
Tratar o estoque apenas como um tema logístico é outro erro recorrente. Na nova tributação sobre o consumo, o estoque passa a influenciar diretamente o preço, a margem e o crédito tributário. Estoques mal classificados, com custos incorretos ou sem controle adequado impactam diretamente o cálculo do IBS e do Imposto Seletivo.
Saber o valor real de cada item e do estoque como um todo deixa de ser opcional. Empresas que não têm esse controle correm o risco de pagar impostos desnecessários, perder margem e enfrentar dificuldades operacionais, algo que planilhas isoladas dificilmente conseguem resolver com eficiência.
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Revisão de contratos e modelos de cobrança
O setor de serviços será fortemente impactado pela Reforma Tributária. O fim do ISS não representa o fim da tributação sobre serviços, mas sim sua reformulação dentro do IBS. Microempresas que não revisarem contratos e modelos de cobrança durante a transição podem enfrentar prejuízos silenciosos, com aumento de custos e redução da margem de lucro.
O especialista destaca que será necessário avaliar cuidadosamente quais custos podem ser absorvidos para manter competitividade e quais precisarão ser repassados aos clientes. Esse equilíbrio exige gestão detalhada, simulações e visão integrada do negócio, fatores decisivos para atravessar a transição de forma sustentável.
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