
Por William Domingues
As vezes temos algumas situações que são únicas no mundo corporativo, e acho que o fato da espuma do hype da IA estarem passando é um ponto de inflexão quando falamos de vibe coding, que também parece ser um novo Hype, mas que tem outros contornos.
Meu primeiro contato com Ferramentas Case ocorreu em 1994 quando eu conheci o GeneXus, que ainda pertencia a Artech, uma empresa Uruguaia. Desde lá eu sempre tive a convicção que Software que geram Software deveriam ter um papel protagonista nas agendas de qualquer CIO e em 1994 eu era apenas um Desenvolvedor Pleno.
Eu fiz muito projetos em GeneXus e sempre apostei meus sistemas e softwares nesse tipo de ferramenta.
Corta para 2026 e temos vibe coding, que guardadas as devidas proporções é meio que uma evolução das ferramentas Case do passado.
E mais uma vez eu entendo que ter isso no radar vai trazer mudanças na forma como software é desenvolvido, como meu time de desenvolvedores vai se comportar, como as priorizações serão modificadas, como o custo de desenvolvimento de verticais será afetado, como a produtividade vai refletir isso no orçamento da empresa e como acelerar projetos com nossos clientes e prospects.
Decidimos em outubro de 2025 que íamos investir em vibe coding. Decidimos trabalhar com o time de Produtos e criamos uma célula especialista em desenvolvimento com vibe coding.
Não víamos vibe coding apenas como forma de prototipar rápido. Isso seria legal, mas como garantir que uma prototipação com IA pudesse depois ser reproduzida por nossos desenvolvedores? Então decidimos que se um produto nascesse em vibe coding, ele será feito, documentado e distribuído em vibe coding.
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Decidimos que os produtos que serão feitos com vibe coding seriam chamados de Aceleradores, ou seja, produtos que podem encurtar um onboarding de um cliente, acelerar o ganho de um BID, provocar pensamentos de investimentos em nosso controlador, ganhar clientes mais rapidamente e o mais importante: permitir que nosso cliente veja a materialidade do projeto de forma rápida e ele mesmo consiga contribuir com a construção do software. Já chegamos a fazer reunião com o Cliente e prototipar a ferramenta junto com ele, durante a reunião.
Decidi também que os sistemas mais críticos da companhia não serão feitos com vibe coding, mas podem ser Hubs de APIs para sistemas feitos com vibe coding.
Atualmente três projetos para fazer com vibe coding na empresa. São projetos que orbitam nossas soluções e que estão focados a atender a uma nova estratégia comercial, ou seja, vibe coding pode se tornar uma nova linha de receita da empresa.
É fato também que começamos vibe coding sem uma governança mais clara e agora estamos trabalhando nisso. Diferente dos fontes dos programas, nossa preocupação é com o repositório de ideias que se transformam em Business Case que por sua vez se transformam em Prompts. Queremos ter a certeza de que o processo de ideação ficou guardado e assegurado que pode ser reproduzido em ferramentas de vibe coding. Nosso principal artigo passa a ser a nossa criatividade como pessoas e isso precisa estar guardado.
Estamos seguros de que vibe coding fará com que repensemos nossas esteireiras de desenvolvimento. Não no sentido de reduzir pessoas, mas de exigir mais qualidade dos desenvolvedores uma vez que parte importante dos sistemas satélites sairá da Squad Tradicional. Eu imagino que em curto prazo mudaremos o perfil dos desenvolvedores, exigindo códigos mais rápidos, mais precisos e com menor custo de operação.
Eu não me sinto seguro para falar do impacto de vibe coding em desenvolvedores Juniores, mas me parece que essa camada será a mais afetada. Já estamos vendo que muitas vagas de nível de entrada estão exigindo 3 anos de experiencia. Acho complexo isso. Como alguém pode entrar numa vaga de entrada com 3 anos de experiencia?
Acho que tem uma provocação importante para pensar que sem juniores não teremos Plenos e Seniores em um determinado tempo, mas eu ainda não consigo avaliar e não tenho números que eu confie para dizer que os impactos já estão acontecendo.
Liderar em 2026 exige um equilíbrio entre a eficiência radical e a resiliência humana. A IA não deve ser apenas uma ferramenta de corte de custos, mas um motor de automação empática que amplifica o potencial de nossos talentos. O papel do CIO evoluiu de gestor de tecnologia para arquiteto de inteligência.
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