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Muito além de operadora, Vivo mostra resultados ao sustentar operações digitais complexas

Há alguns anos, a Vivo deixou de ser apenas a maior operadora de telecomunicações do País. O movimento, iniciado de forma estratégica, reposicionou a companhia também como integradora de tecnologia capaz de operar na interseção entre conectividade, dados, cloud, segurança, internet das coisas (IoT) e, agora, inteligência artificial (IA).

Na prática, isso significa atuar onde a transformação digital realmente acontece: no coração da operação dos clientes e não apenas na borda da rede. Não por acaso, essa estratégia se reflete no desempenho financeiro da companhia. No terceiro trimestre de 2025, as receitas de serviços digitais e TIC no segmento B2B cresceram acima de 20% na comparação anual, com destaque para cloud e segurança, segundo o último balanço divulgado.

“A Vivo deixou de ser percebida apenas como fornecedora de conectividade porque o cliente parou de enxergar tecnologia em silos”, conta Karina Baccaro, diretora de Marketing e Operações B2B da companhia. “Hoje, o desafio do CIO é garantir que tudo funcione junto, seja rede, cloud, segurança, dados e aplicações, com resiliência e previsibilidade. É aí que entramos.”

Esse reposicionamento ajuda a explicar por que mais de 30% da receita B2B da Vivo já vem de serviços digitais e porque o discurso de ecossistema, tão usado no mercado, ganha contornos concretos quando observado a partir dos projetos em execução. No acumulado de 12 meses, esses serviços já somam mais de R$ 5 bilhões em receita, consolidando uma mudança estrutural no mix do negócio corporativo da empresa. O foco deixou de ser tecnologia como produto e passou a ser tecnologia como infraestrutura de negócios.

“Não existe inteligência artificial (IA) escalável sem fundação tecnológica sólida”, diz Karina. “Se conectividade, segurança e observabilidade não estão bem resolvidas, a IA vira experimento. Ela não sai do piloto, não sustenta operação crítica e não gera valor real.”

Quando a rede sustenta o omnichannel no varejo

No varejo, essa lógica aparece de forma clara no projeto conduzido pela Vivo no Magazine Luiza. A integração de cerca de 700 lojas em 20 estados exigiu muito mais do que ampliar banda ou trocar equipamentos. Envolveu redesenhar a operação digital do grupo, conectando SD-WAN, cloud e voz corporativa em um único ecossistema.

“O varejo opera no limite. Qualquer indisponibilidade vira impacto direto no consumidor e no faturamento”, explica ela. “Por isso, a conversa não é sobre link, é sobre continuidade operacional e experiência.”

Segundo ela, a adoção de SD-WAN permitiu priorizar aplicações críticas e criar contingências automáticas. A integração com Microsoft Azure e Microsoft 365 abriu espaço para colaboração, análise de dados e iniciativas de IA. Já a gestão centralizada e os serviços de voz corporativa reduziram a complexidade e aumentaram a resiliência. O resultado é uma operação omnichannel, em que físico e digital coexistem e deixam de disputar protagonismo.

Bancos e APIs: rede como ativo estratégico

No setor financeiro, a transformação é ainda mais sensível. O Itaú foi o primeiro banco do mundo a adotar o Open Gateway, iniciativa global que padroniza o uso de APIs de rede. O movimento reposiciona a própria ideia de conectividade, já que a rede deixa de ser invisível e passa a atuar como ativo estratégico de negócios.

“As APIs de rede criam uma camada de valor para bancos e empresas”, afirma Karina. “Elas permitem usar inteligência da própria rede, como localização, status do dispositivo e qualidade sob demanda, para reduzir fraude, acelerar jornadas digitais e melhorar performance.”

A expansão do uso dessas APIs resultou em números que chamam a atenção. Houve redução de até 30% no tempo de navegação em ambientes críticos do app, mais de 3 milhões de consultas via KYC, queda de 15% nos custos e aumento de 10% na performance das análises. Não por acaso, o projeto virou referência global.
Indústria e segurança. Onde a tecnologia evita acidentes

Na indústria, o impacto da integração tecnológica aparece de forma ainda mais concreta. Na planta da Dow em Jundiaí (SP), a solução Área Segura da Vivo combina sensores em colaboradores e máquinas, plataformas em nuvem e automações capazes de reduzir velocidade ou interromper equipamentos em situações de risco.

“Quando falamos de IoT industrial, não estamos falando de inovação estética”, diz Karina. “Estamos falando de segurança, continuidade e produtividade. Em muitos casos, de salvar vidas”, completa.

A prova de conceito teve 100% de aprovação e abriu caminho para a expansão do modelo em outras unidades. O mesmo raciocínio orienta projetos de cibersegurança, como o desenvolvido com o GPA, onde a Vivo implementou uma solução antirransomware cobrindo toda a infraestrutura do grupo, de servidores a lojas físicas.

Utilities e agronegócio

Na Sabesp, a Vivo ganhou destaque com um projeto gigante de instalação de sensores. Com investimento de R$ 3,8 bilhões, o projeto prevê a implantação de 4,4 milhões de hidrômetros inteligentes até 2029, transformando São Paulo na primeira megacidade do mundo com 100% de medição hídrica inteligente.

“Esse não é só um projeto de IoT. É de gestão de um recurso essencial”, afirma Karina. “Telemetria em tempo real, detecção de vazamentos e modelos de IA criam uma nova lógica de eficiência hídrica, com impacto direto no cidadão e no meio ambiente.”

No agronegócio, a parceria com a Bevap segue a mesma lógica. A cobertura de mais de 30 mil hectares com 4G e tecnologias como LTE-M e NB-IoT viabiliza telemetria de máquinas, monitoramento ambiental e decisões orientadas por dados em um setor pressionado por clima, custos e produtividade. A integração de dados de máquinas, pivôs inteligentes e sistemas agrícolas permite transformar informação operacional em decisões baseadas em IA, com impacto direto na eficiência da produção e no uso de recursos.

Essa lógica de infraestrutura digital aplicada ao território também aparece em projetos com forte componente socioambiental. A parceria entre a Vivo e a Natura tornou-se um dos casos mais emblemáticos nesse sentido, especialmente na Amazônia. O projeto combina conectividade, modernização produtiva, inclusão digital e fortalecimento de cadeias sustentáveis.

A Vivo levou cobertura móvel a áreas geograficamente isoladas, garantindo conectividade em 63 das 74 localidades mapeadas, beneficiando 32 cooperativas e cerca de 1,7 mil famílias de povos tradicionais, ribeirinhos e agricultores. A digitalização reduziu deslocamentos, ampliou o acesso a serviços digitais e fortaleceu a economia local, criando condições para produtividade, rastreabilidade e permanência das comunidades no território.

B2B2C sem retórica

Para Karina, o conceito de B2B2C só faz sentido quando o impacto chega ao usuário final, mesmo que ele não perceba a tecnologia por trás. “Seja no app bancário mais rápido, na loja que não cai, na água medida com mais precisão ou na indústria mais segura, o cliente final está no centro dessa equação”, diz.

É nesse ponto que, de acordo com a executiva, a estratégia da Vivo se diferencia: menos promessa, mais execução. Ao operar como integradora de ecossistemas, a empresa ocupa um espaço cada vez mais disputado, o de parceira estrutural da transformação digital. Não como fornecedora de tecnologia isolada, mas como quem sustenta o funcionamento do mundo digital.

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