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Investimento em infraestrutura dispara e espalha-se por todos os setores

A expansão da inteligência artificial (IA) não dá sinais de desaceleração. Segundo reportagem da Reuters, a construção de infraestrutura voltada à IA segue em ritmo acelerado, impulsionada por gigantes como Nvidia, Microsoft e Amazon e agora se espalha para setores industriais, de energia e manufatura pesada.

A Nvidia ultrapassou o valor de mercado de US$ 5 trilhões, tornando-se a empresa mais valiosa do mundo e símbolo do boom da IA. Já a Microsoft e a OpenAI firmaram um novo acordo que amplia a capacidade de captação da criadora do ChatGPT, que começa a preparar uma oferta pública inicial avaliada em até US$ 1 trilhão.

Mesmo com alertas sobre uma possível bolha, os números mostram que a onda de investimentos ainda está em ascensão. A Goldman Sachs estima que o gasto global com infraestrutura de IA pode atingir de US$ 3 trilhões a US$ 4 trilhões até 2030. Somente Microsoft, Amazon, Meta e Alphabet devem investir cerca de US$ 350 bilhões neste ano.

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Efeito dominó da IA

A demanda crescente por data centers transformou até empresas industriais em beneficiárias diretas da revolução da IA. Mais de 100 companhias não tecnológicas citaram data centers em suas teleconferências de resultados, incluindo a Honeywell, a GE Vernova e a Caterpillar. Esta última registrou aumento de 31% nas vendas de equipamentos de energia para centros de dados no último trimestre.

“O ecossistema da IA agora inclui energia, manufatura e tecnologias de resfriamento”, disse Ayako Yoshioka, gestora da Wealth Enhancement Group, ao jornal. Esse movimento leva investidores a olharem além das empresas de tecnologia tradicionais e apostarem em toda a cadeia de fornecimento.

Segundo a Oxford Economics, cerca de 60% dos investimentos dos data centers norte-americanos são destinados à importação de equipamentos de TI — principalmente semicondutores produzidos em Taiwan, Coreia do Sul e Vietnã.

Embora os ganhos de produtividade com IA ainda sejam desiguais, sinais de impacto já aparecem. A suíça Schindler, fabricante de elevadores e escadas rolantes, revisou para cima sua previsão de margem anual e destacou o papel crescente da IA em P&D. Empresas como Procter & Gamble e a mineradora Boliden também afirmaram que os benefícios começam a se refletir nas operações.

O setor de tecnologia norte-americano, segundo a LSEG, cresceu mais de 15% em receita ano a ano, superando todos os outros segmentos da economia. A Apple anunciou aumento significativo em seus aportes de IA, enquanto a Amazon prevê gastos de capital de US$ 125 bilhões em 2025.

Risco da supervalorização

Desde o lançamento do ChatGPT, em 2022, o valor global das ações cresceu 46%, ou US$ 46 trilhões, um terço desse montante vindo de empresas ligadas à IA, aponta o Bespoke Investment Group. Analistas, porém, alertam para o encurtamento do ciclo de vida de chips e servidores, o que exige substituições mais rápidas e pode pressionar o retorno sobre o capital investido.

A Reuters identificou queda nas proporções entre receita e gastos de capital das big techs, sinal de que os investimentos crescem mais rápido que as vendas. “Se não houver avanço claro na monetização em até três anos, o mercado começará a cobrar respostas”, afirmou Sumali Sanyal, da Xponance.

A Microsoft registrou US$ 35 bilhões em capex no último trimestre, recorde histórico, e deve gastar ainda mais. Questionada sobre o risco de uma bolha, a CFO, Amy Hood, afirmou: “Achei que íamos alcançar a demanda. Não conseguimos.”

Corrida ainda está longe do fim

Mesmo com o alerta sobre endividamento crescente como a emissão de US$ 18 bilhões em bônus da Oracle e o plano da Meta para captar até US$ 30 bilhões, economistas veem espaço para mais crescimento. Segundo a Goldman Sachs, os investimentos em IA representam menos de 1% do PIB dos Estados Unidos, bem abaixo dos picos de 2% a 5% registrados nas eras da eletricidade e da internet.

“Estamos apenas no início, e o ritmo de inovação da IA é o mais rápido que vimos em décadas”, afirmou Nick Evans, gestor da Polar Capital Technology Trust.

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