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Gartner: as 10 principais previsões para organizações e usuários de TI para 2026

Talentos na era da inteligência artificial, soberania e IA insidiosa: essas são as três principais categorias de previsões divulgadas pelo Gartner essa semana para 2026 e os próximos anos. São considerações que valem tanto para organizações como para profissionais e usuários de tecnologia corporativa nos próximos anos.

“Os riscos e as oportunidades da rápida mudança tecnológica estão afetando cada vez mais o comportamento e as escolhas humanas”, diz em comunicado Daryl Plummer, vice-presidente e analista emérito do Gartner. “Para se prepararem adequadamente para o futuro, os CIOs e líderes executivos devem priorizar as mudanças comportamentais juntamente com as tecnológicas como prioridades de primeira ordem.”

  1. IA coloca ferramentas de produtividade tradicionais na berlinda

Segundo o Gartner, até 2027 a IA generativa e os agentes de IA criarão o “primeiro verdadeiro desafio” para ferramentas de produtividade convencionais após 30 anos, o que deve provocar uma reestruturação no mercado, avaliado em US$ 58 bilhões. Formatos legados e compatibilidade perderão importância, com a IA reduzindo barreiras de entrada e trazendo nova concorrência entre fornecedores.

  1. IA como requisito nas contratações

Até 2027, diz o Gartner, 75% dos processos de contratação incluirão certificações e testes de proficiência em IA no ambiente de trabalho durante o recrutamento. Nos próximos dois anos, a expectativa é que muitas organizações implementem avaliações práticas de proficiência em inteligência artificial em processos de contratação. A tendência será especialmente forte para empregos em que a captura, retenção e síntese de informações são componentes importantes.

  1. Habilidades em IA, mas sem dependência

Até 2026, a atrofia das habilidades de pensamento crítico causadas pelo uso da IA generativa levará 50% das organizações a exigir avaliações de habilidades “livres de IA”, diz o Gartner. O objetivo será diferenciar candidatos que podem pensar de forma independente e aqueles que dependem excessivamente dos resultados gerados por máquinas. Serão buscados capacidade de demonstrar resolução de problemas, avaliação de evidências e julgamento sem assistência.

O Gartner alerta que essa mudança vai acabar prolongando processos de contratação e intensificará a competição por talentos com capacidades cognitivas comprovadas. Setores de alto risco, como finanças, saúde e direito, sofrerá com a escassez desses talentos, o que aumentará os custos de aquisição e forçará as empresas a desenvolver novas estratégias de contratação e avaliação.

  1. Uma IA geofragmentada

Até 2027, 35% dos países estarão presos a plataformas de IA específicas para cada região, utilizando dados contextuais proprietários, diz o Gartner. Fatores técnicos e geopolíticos devem obrigar organizações a localizar soluções, respondendo a regulamentações rigorosas, diversidade linguística e alinhamento cultural. As soluções universais de IA desaparecerão à medida que as diferenças regionais aumentarem.

Leia mais: Como funcionam os data centers e o custo ambiental da era da IA

Será um desafio especialmente para empresas multinacionais, que vão ter que gerenciar várias parcerias de plataforma, cada uma com exigências exclusivas de conformidade e governança de dados.

  1. IA multiagente dominará processos comerciais

Até 2028, diz o Gartner, as organizações dominantes vão usar IA multiagentes em 80% dos processos comerciais voltados para o cliente. Um modelo de IA para gestão de relacionamento com o cliente (CRM) vai lidar com tarefas rotineiras. Aos humanos caberão interações complexas e emocionais. Os clientes ainda poderão escolher entre o autoatendimento completo assistido por IA ou atendimento humano também assistido.

  1. Compras B2B feitas por agentes

Até 2028, 90% das compras B2B serão intermediadas por agentes de IA, movimentando mais de US$ 15 trilhões em gastos. Nessa nova economia, dados operacionais verificáveis se tornam moeda, e as estruturas de confiança digital e verificabilidade são pré-requisitos para a participação. Produtos projetados com arquiteturas de microsserviços componíveis, API-first, nativas de nuvem e que separam front-end e back-end (headless) terão vantagem competitiva.

  1. IA mortal na justiça

Até o fim de 2026, as ações judiciais relacionadas a “morte por IA” ultrapassarão a marca de mil devido à insuficiência de medidas de proteção contra riscos. O Gartner diz que haverá aumento dos incidentes de morte relacionadas a falhas de segurança da IA, a chamada “morte por IA”, o que levará a um maior escrutínio e controle regulatório, ações corretivas, envolvimento de órgãos de aplicação da lei e custos mais altos com litígios.

As organizações enfrentarão pressão para cumprir obrigações legais mínimas e para priorizar a segurança e a transparência em sistemas de negócios. E aí surgirá um paradoxo: algumas empresas vão preferir se destacar pelo uso dessa IA mais controlada, enquanto outras vão preferir abandoná-la (ao menos no discurso).

  1. Transações financeiras agênticas

Até 2030, 22% das transações monetárias serão programáveis para incluir termos e condições de uso para agentes de IA. O chamado “dinheiro programável” permitirá novos modelos de negócios graças às negociações entre máquinas, comércio automatizado, descoberta de mercados e monetização de ativos de dados. As transações programáveis trarão ganhos de liquidez e eficiência, reduzindo o atrito e diminuindo custos operacionais.

Isso também aumentará a demanda por infraestrutura financeira programável, criará mercados, facilitará o financiamento autônomo e permitirá produtos que se adaptam automaticamente às necessidades em constante mudança, diz o Gartner. Graças a isso, stablecoins, tokens de depósito e ativos do mundo real tokenizados estão evoluindo para se tornarem instrumentos financeiros convencionais para uso empresarial.

  1. Precificação dos processos de inovação

O Gartner diz que, até 2027, a lacuna entre custo e valor dos contratos de serviços será reduzido em pelo menos 50% devido à IA agêntica. Esses agentes evoluirão e levarão a novos ativos de valor. A precificação baseada em inovação não será limitada pela mão de obra, pois os fluxos de trabalho padronizados serão substituídos pela orquestração orientada pelo contexto.

  1. Regulamentação da IA seguirá crescendo

Até 2027, a regulamentação da IA continuará crescendo, e alcançará 50% das economias mundiais, gerando US$ 5 bilhões em investimentos em conformidade. Foram mais de mil leis relativas à IA propostas em 2024, nenhuma delas com o que o Gartner considera uma “definição consistente de IA”. A governança pode assim se tornar um facilitador ou uma barreira.

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