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Fundadores da Accountfy lançam startup de agentes de IA

Há quase dois anos, o mercado de tecnologia reagiu às declarações do CEO da Microsoft, Satya Nadella, sobre possíveis mudanças no modelo de software como serviço. Em entrevista concedida ao podcast BG2, em maio de 2024, o executivo mencionou que o avanço de agentes de inteligência artificial poderia transformar a forma como usuários interagem com softwares tradicionais.

A discussão reforçou um movimento que já aparecia nas conversas de executivos de tecnologia desde a popularização dos agentes de IA. Essas ferramentas prometem executar tarefas em nome dos usuários e acessar sistemas de forma automatizada, o que pode reduzir a dependência de interfaces tradicionais de software.

De olho nesse cenário e buscando se antecipar às mudanças do mercado, os empreendedores brasileiros Goldwasser Neto e João Mano decidiram iniciar uma nova jornada. Conhecidos por fundar a Accountfy, plataforma de SaaS voltada para gestão financeira, os executivos passaram a desenvolver, há cerca de um ano, a Mogno, uma empresa focada em infraestrutura para aplicações baseadas em inteligência artificial.

“Nós pensamos: já que o mercado pode passar por essa disrupção, vamos participar dela em vez de apenas reagir. Queríamos nos antecipar ao risco do que poderia acontecer”, afirma Neto.

Inicialmente, a ideia era incorporar agentes de IA à própria plataforma da Accountfy, transformando a Mogno em uma nova funcionalidade do sistema já existente. No entanto, os fundadores perceberam que a solução poderia ganhar vida própria.

“O cliente da Accountfy é o profissional de finanças, e não queríamos limitar o público da Mogno. Criamos uma startup separada para ampliar o alcance para todo o back office”, explica Mano.

A proposta da Mogno é simplificar o acesso à tecnologia para profissionais que não são da área técnica. A plataforma permite substituir planilhas e trocas de e-mails por aplicações baseadas em inteligência artificial, mas dentro de um ambiente controlado.

A ferramenta funciona como uma infraestrutura para criação de aplicações voltadas principalmente para setores administrativos. Nesse ambiente, diferentes aplicativos ficam conectados e podem acessar bases externas de dados por meio de agentes de IA.

O nome da empresa também reflete essa ideia. Mogno faz referência à árvore que sustenta diferentes ramificações.

“No contexto de uma empresa, seria como construir toda a infraestrutura para que a inteligência artificial possa funcionar nas aplicações e nas regras de negócio”, afirma Mano.

No início, a startup pretende focar no mercado financeiro, área em que os fundadores já têm presença. A expectativa é expandir posteriormente para departamentos como comercial, recursos humanos e jurídico, que, na visão dos executivos, ainda avançam de forma mais lenta na adoção de IA e agentes nas operações.

“Hoje, mesmo quando ferramentas de desenvolvimento são mais simples, ainda existe toda uma camada técnica de configuração, banco de dados, hospedagem e credenciais. Nosso cliente não precisa lidar com isso”, diz Mano.

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Experimentação como estratégia

Apesar de já ter um público inicial definido, a Mogno chega ao mercado sem um plano de negócios totalmente fechado para os próximos anos.

Segundo Neto, a estratégia no primeiro momento será testar possibilidades e entender melhor a demanda do mercado.

“Temos muito a evoluir nesse modelo. Precisamos entender se o cliente prefere pagar por aplicações específicas, pelo uso da plataforma ou por outros formatos. É um processo de aprendizado”, afirma.

A experimentação acompanha o projeto desde o início. Após oito anos à frente da Accountfy, os fundadores dizem estar explorando um território novo com a Mogno.

Durante conversas com investidores, por exemplo, a dupla percebeu que precisaria mudar a forma de apresentar a empresa.

“Descobrimos que a Mogno precisa ser demonstrada de forma muito visual. Muitas pessoas ainda são céticas em relação ao potencial da plataforma, e mostrar o produto funciona melhor do que apenas explicar”, diz Mano.

Estratégia internacional desde o início

A Mogno já nasce com uma estrutura internacional. A empresa tem sede na Flórida, nos Estados Unidos, como parte da estratégia de expansão para o mercado norte-americano e para países da América Latina.

“A Flórida funciona como um ponto de conexão com a América Latina. Para vender soluções corporativas para a região, muitas empresas acabam operando a partir daqui”, afirma Neto.

Mesmo em fase inicial, a startup projeta faturar cerca de US$ 2 milhões ainda em 2026. A expectativa está ligada a uma parceria que ainda não pode ser divulgada, mas que pode gerar contratos em diferentes países da América Latina.

“Como é uma empresa muito nova, acreditamos que o primeiro ano pode ter um custo de aquisição de clientes mais baixo e ajudar a colocar a plataforma nas mãos de mais empresas”, afirma.

O futuro do SaaS

O lançamento da Mogno não significa o fim da Accountfy. Os fundadores afirmam que pretendem continuar operando as duas empresas em paralelo.

A experiência de desenvolver a nova plataforma também mudou a visão dos executivos sobre o futuro do modelo SaaS.

Para eles, mesmo que o mercado passe por transformações com a chegada dos agentes de IA, o modelo de software como serviço ainda deve continuar relevante.

“Acho que somos uma prova de que o SaaS não desaparece. Não criamos a Mogno para substituir a Accountfy, e mesmo assim acabamos com duas empresas. O mercado pode mudar de formato, mas ainda existe espaço para os dois modelos”, afirma Mano.

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