
Resumo
- A audiência de sites de notícias vinda do Google caiu 33% em um ano, segundo dados da Chartbeat para mais de 2,5 mil sites jornalísticos.
- A Visão Geral de IA aparece em 10% das buscas no Google nos EUA, enquanto o ChatGPT começa a direcionar tráfego, mas ainda em números irrelevantes.
- O relatório do Instituto Reuters sugere que empresas jornalísticas devem investir em vídeos para plataformas como YouTube e TikTok, bem como explorar modelos de assinaturas.
O número de visitas a sites de notícias vindas do Google caiu 33% em 12 meses, refletindo mudanças nos mecanismos de pesquisa. Nos últimos anos, o buscador passou a usar inteligência artificial para gerar resumos automáticos e colocá-los acima dos links. Além disso, o ChatGPT e outros chatbots de IA ganharam popularidade como forma de consultar informações.
Os sites que cobrem comportamento, celebridades e turismo são os mais afetados, enquanto publicações que acompanham o noticiário diário de interesse geral parecem mais protegidas.
Os dados são da plataforma Chartbeat e dizem respeito a mais de 2,5 mil sites jornalísticos do mundo todo. Eles foram apresentados em um relatório do Instituto Reuters sobre a situação do jornalismo.
O documento aponta ainda que a Visão Geral com IA (AI Overview) aparece em cerca de 10% das buscas no Google realizadas nos Estados Unidos. Além disso, a empresa já oferece uma experiência com Gemini nos resultados, chamada Modo IA. Já o ChatGPT começa a direcionar tráfego a sites jornalísticos, mas em números irrelevantes.

O que isso significa para o jornalismo?
Para Nic Newman, pesquisador do Instituto Reuters, a “era do tráfego” está chegando ao fim. Isso significa que a quantidade de visitas originadas em buscadores deve cair rapidamente daqui em diante.
Com menos usuários acessando os sites, a receita gerada pela publicidade tende a desaparecer também, colocando em risco um modelo de negócios que funcionou durante décadas.
Os dados mostram que um cenário previsto há alguns anos pode se tornar realidade: o “Google Zero”, situação em que um site passa a receber zero acesso vindo do principal buscador da web. O termo foi cunhado pelo editor-chefe do The Verge, Nilay Patel.
“Não está claro o que vem por aí”, diz Newman. “Empresas jornalísticas temem que os chatbots de IA estejam criando um novo e conveniente jeito de acessar informação, o que poderia deixar sites e jornalistas para trás.”
Qual é o futuro para os sites?
Apesar da incerteza, o relatório do Instituto Reuters identifica algumas tendências entre as empresas do setor. Uma delas é encorajar jornalistas a produzir conteúdo em vídeo para YouTube e TikTok, aproveitando a popularidade do formato de vídeos curtos.
Dos 280 líderes de redações entrevistados, cerca de três quartos pretendem incentivar seus funcionários a se envolver com esse tipo de tarefa, e metade planeja fazer parcerias com criadores para distribuir seu conteúdo.
Outra forma de lidar com a queda de acessos e da receita com publicidade é buscar um modelo de assinaturas, o que também pode ajudar a criar um relacionamento mais direto com os leitores.
Newman aposta que o jornalismo vai sobreviver, apesar desses desafios. “Notícias confiáveis, análises de especialistas e diferentes pontos de vista continuam importantes para os indivíduos e para a sociedade”, comenta o pesquisador. “Boas histórias e sensibilidade humana são difíceis de replicar usando IA.”
Audiência vinda do Google afundou 33% em um ano