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Por meio de livro de histórias, ONG celebra espaço da mulher na tecnologia

Conhecido como o mês da mulher, março geralmente traz consigo diversas pautas de protagonismo para profissionais do gênero feminino. Mas o que muitos só veem durante um período do ano é, na verdade, a rotina das fundadoras e mentoras da Ser Mulher em Tech, ONG dedicada a incentivar mulheres a crescerem na tecnologia.

Fundada em 2016, a organização funciona sob três pilares fundamentais— inspirar, impulsionar e influenciar — e, a partir deles, se divide em duas frentes: motivar e mentorear. A primeira, focada principalmente em jovens de baixa renda, promove encontros entre ONGs e escolas públicas estaduais e municipais para apresentar o cenário de tecnologia e trazer novas referências para gerações futuras. “Com esse programa a gente ainda percebe que o estereótipo do profissional de tecnologia é do ‘menino nerd’. É isso que elas falam pra gente muitas vezes, e o que buscamos desconstruir”, conta Elisabete Waller, cofundadora e atual vice-presidente da organização.

Para ela, mesmo com os desafios atuais, nunca foi tão fácil furar a bolha para chegar às novas gerações. Com mais de 20 anos atuando no setor de Tecnologia em empresas como PWC e EY, a ex-executiva sempre traz para essas conversas suas experiências e a diferença entre o seu começo e os tempos atuais. “Quando eu comecei, tecnologia ainda era muito ligada ao código e eu era a única da minha turma. Mas hoje, além de terem mais referências, a tecnologia e a arte estão muito ligados, e isso acaba sendo mais convidativo para as mulheres”

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Já a segunda frente da organização surgiu em 2019, em uma mentoria voluntária focada em mulheres que estavam ingressando na área ou que desejam ocupar novos patamares. O objetivo é, não apenas levar mais mulheres para a TI, como também fazer com que estas alcancem cargos mais altos. “Nós entendemos que já existem muitos trabalhos de base sendo feitos para levar meninas para a TI. E eles precisam continuar. Mas também precisamos pensar em ocupar os lugares mais altos dessa cadeia”, afirma.

Passados sete anos desde seu início, o projeto já teve mais de 400 mulheres mentoreadas, mais de 200 voluntárias mentoras e agora realizará o sonho de suas fundadoras ao virar livro.

A história por trás do livro

A ideia para o Ser Mulher em Tech surgiu há dois anos durante uma conversa entre Elisabete e Silvana Fumara, presidente da Associação. Inspiradas após concluir mais um ciclo de mentoria, as fundadoras se deram conta de que as histórias acumuladas ao longo dos anos poderiam ser também material de inspiração.

O projeto, no entanto, ainda demorou mais um ano para sair do papel e, segundo a vice-presidente, foi um golpe de sorte que o tornou possível. “Estávamos tentando viabilizar o projeto, mas faltava verba. E aí, um dia, enquanto eu tentava angariar esses fundos, acabei chegando atrasada para um almoço com o (antigo) presidente da Great Place to Work. Na hora que expliquei o motivo do atraso, ele se interessou e sugeriu fazer pela editora deles!”, conta.

Após a aprovação para seguir era hora de, então, selecionar as histórias responsáveis por inspirar novas meninas e mulheres da área. Para isso, a ONG criou um formulário chamando as mentoreadas que desejam compartilhar suas experiências e contratou quatro jornalistas para escrever os relatos. No fim, 52 mulheres se inscreveram para participar, incluindo as de Elisabete.

A vice-presidente se emociona ao lembrar das histórias, que vão desde a empreendedora que fez transição de carreira aos 50 anos, até as jovens que alcançaram altos cargos devido a sua dedicação. “Eu tive uma mentoreada que era formada em regência, para ser maestra sabe?! A família dela era da música e ela nem pensava em uma carreira em tecnologia até os 30 anos. Me lembro que quando ela chegou, não entendia nada desse universo corporativo, mas hoje já é consultora pleno de implementação de soluções service now”, diz com brilho de orgulho nos olhos.

Publicado pela Great People Book no último dia 26 de fevereiro, o livro conta esta e outras histórias de mulheres na TI, mas para a cofundadora da ONG este é apenas o começo. A ideia é lançar outro livro, com novas histórias a cada dois anos. Para ela, contribuir com uma TI mais diversa é também furar a bolha e tornar o mundo mais igualitário. “Acredito muito que com o avanço das tecnologias teremos mais igualdade, porque hoje a tecnologia tá em todo lugar, então quanto mais diversidade de quem programa, melhor”, enfatiza.

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