
À frente das soluções tecnológicas da área de Supply Chain da Heineken Brasil, Priscila Chicaleski lidera iniciativas de automação e transformação digital em uma das operações mais estratégicas da companhia. Paralelamente, também se dedica à mentoria de mulheres que iniciam carreira na área de tecnologia, apoiando mais de 100 profissionais por ano.
Com passagens por empresas como IBM e Natura, a executiva construiu sua trajetória acompanhando as transformações da tecnologia corporativa no país. Em entrevista ao IT Forum, ela defende que ampliar a presença feminina no setor exige ações deliberadas das empresas.
“Precisamos ser intencionais. É necessário colocar a pauta da diversidade feminina em evidência desde o momento em que abrimos uma vaga”, afirma.
Segundo Priscila, a forma como as oportunidades são comunicadas e estruturadas nas organizações tem impacto direto na diversidade de profissionais que chegam ao setor.
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Mentoria e apoio na carreira
No início da trajetória profissional, a executiva contou com poucas mentoras mulheres, mas teve o apoio de colegas que contribuíram para seu desenvolvimento. A experiência influenciou sua decisão de atuar mais diretamente no apoio a outras profissionais.
Ao integrar o grupo de afinidade feminina da Heineken como mentora, ela percebeu que muitas das inseguranças que enfrentou no início da carreira eram compartilhadas por outras mulheres.
“Esse grupo me incentivou a me dedicar mais à mentoria. Hoje acompanho mais de 100 mulheres, a maioria no início da carreira de liderança, justamente para apoiar em desafios que eu também enfrentei”, explica.
Para Priscila, o desenvolvimento profissional depende não apenas de formação técnica, mas também do suporte de colegas, líderes e da rede de apoio pessoal.
Desafios da liderança feminina
Consolidar a liderança em ambientes técnicos exigiu da executiva uma busca constante por conhecimento e especialização. Ela também destaca que, ao longo da carreira, precisou lidar com barreiras comuns enfrentadas por mulheres na tecnologia.
“Como mulher, muitas vezes senti que precisava fazer o dobro. Já tentei falar em reuniões e não fui ouvida. Em alguns momentos precisei me provar mais, especialmente quando o debate sobre diversidade ainda não era tão presente”, afirma.
Segundo ela, a construção de autoridade em áreas técnicas está diretamente ligada à formação e à experiência acumulada ao longo da carreira.
Hoje, na Heineken, Priscila afirma trabalhar para que a equidade de gênero deixe de ser apenas uma meta institucional e passe a fazer parte das práticas cotidianas da organização.
Ao lembrar sua primeira certificação em tecnologia, a executiva reconhece que a insegurança marcou o início de sua trajetória profissional, mas também serviu como impulso para seguir avançando.
“Eu era uma pessoa muito insegura, mas também muito sonhadora. Sempre tive clareza de onde queria chegar”, diz.
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