
O Brasil é o oitavo país que mais sofre com a escassez de talentos no mundo, o que significa que o índice de empregadores que dizem ter dificuldade para encontrar profissionais com as competências necessárias atualmente está em cerca de 80%, acima da média mundial de 72%. Todos os setores nacionais analisados estão acima dessa média global, com especialmente serviços profissionais, científicos e técnicos (85%); informação (83%); comércio e logística; hospitalidade; manufatura; e serviços públicos e recursos naturais (79%).
Lideram a lista a Eslováquia (87%), a Grécia (84%) e o Japão (84%), com os maiores índices nacionais de escassez. Os dados fazem parte da Pesquisa de Escassez de Talentos do ManpowerGroup, divulgada recentemente. Foram ouvidos mais de 39 mil empregadores em 41 países, incluindo 1.020 no Brasil.
O índice brasileiro permanece praticamente inalterado nos últimos quatro anos: 80% em 2023, 80% em 2024, 81% em 2025 e, agora de novo, 80% em 2026. A estabilidade do indicador, segundo a empresa especialista em recrutamento e seleção, está em “patamar elevado”, o que significa que as empresas continuam enfrentando dificuldades para encontrar profissionais.
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“A escassez de talentos deixou de ser um fenômeno pontual e passou a integrar a dinâmica estrutural do mercado de trabalho brasileiro. Não se trata de uma oscilação momentânea, mas de um cenário persistente, que exige das empresas uma revisão profunda de suas estratégias de atração, desenvolvimento e retenção de profissionais”, diz em comunicado Wilma Dal Col, diretora de recursos humanos no ManpowerGroup.
No Brasil, a escassez é mais intensa nos principais polos econômicos. O estado de São Paulo lidera com 88% dos empregadores relatando dificuldade para recrutar, seguido por Minas Gerais (85%) e Rio de Janeiro (80%). A capital paulista, isoladamente, apresenta 79%.
Maiores lacunas
Entre as habilidades técnicas mais raras, as chamadas “hard skills”, estão desenvolvimento de modelos e aplicações de IA e letramento em IA, “reforçando a pressão por habilidades ligadas à transformação digital”, dizem os autores do estudo. Também aparecem em destaque TI e dados, além de front office, atendimento ao cliente e marketing e vendas.
Entre as habilidades comportamentais, ou “soft skills”, profissionalismo e ética no trabalho lideram como mais valorizadas no Brasil, seguidas por comunicação, colaboração e trabalho em equipe.
Segundo o estudo, como forma de enfrentar os desafios as organizações no Brasil estão apostando em upskilling e reskilling dos colaboradores (44%), busca por novos “pools” de talentos (25%), maior flexibilidade de localização (23%) e a flexibilização de horários (21%). Ajustes salariais para mais competitividade (18%), anúncios pagos para divulgação de vagas (15%), terceirização de funções (13%) e expansão da força de trabalho temporária (12%) aparecem logo depois.
Para acessar essa e outras pesquisas do ManpowerGroup é preciso clicar aqui.
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