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Forrester define desenvolvimento de software agêntico como nova fase da engenharia de software com IA

A inteligência artificial generativa (GenAI) transformou a rotina de desenvolvedores, mas a próxima mudança pode ser ainda mais profunda. Em análise publicada pela Forrester Research, o vice-presidente e principal analista, Diego Lo Giudice, propõe a consolidação de uma nova categoria: o agentic software development (ASD), ou desenvolvimento de software agêntico.

Segundo o analista, o impacto mais relevante da inteligência artificial (IA) na engenharia de software não está nos chatbots ou no simples autocomplete de código, mas na emergência de agentes capazes de assumir tarefas completas ao longo do ciclo de vida de desenvolvimento de software (SDLC). A proposta é tratar o ASD como um campo próprio, com práticas, ferramentas e implicações específicas para equipes técnicas.

O conceito parte da utilização de agentes de IA, também chamados de TuringBots, que não apenas respondem a comandos, mas planejam, executam, iteram e revisam atividades de desenvolvimento com certo grau de autonomia. A atuação ocorre em colaboração com engenheiros humanos, que continuam responsáveis por direcionamento, validação e resultados.

Três elementos definem essa abordagem. O primeiro é a autonomia. Diferentemente de assistentes que aguardam instruções pontuais, os sistemas agentic conseguem decompor tarefas, executar etapas em sequência e operar de forma assíncrona.

O segundo é a abrangência no SDLC. Embora a geração de código seja central, o escopo inclui design, documentação, refatoração, testes unitários, revisão e integração com fluxos de entrega.

O terceiro é o público-alvo: desenvolvedores profissionais que trabalham em bases de código complexas. A proposta não contempla cenários de low-code ou ferramentas voltadas a desenvolvedores cidadãos.

Na prática, esses agentes já são utilizados para explorar grandes repositórios de código, implementar funcionalidades a partir de descrições em linguagem natural, modernizar sistemas legados, gerar documentação, revisar pull requests, diagnosticar falhas e explicar erros.

Mudança no modelo operacional das equipes

Para a Forrester, o efeito do ASD vai além do ganho de produtividade. A adoção de agentes autônomos exige revisão do modelo de trabalho das equipes de engenharia.

Passam a ser discutidas questões como: quais atividades devem ser delegadas à IA? Qual nível de autonomia é aceitável? Onde estabelecer guardrails? Como registrar a intenção arquitetural para que agentes possam reutilizá-la? Em quais pontos o julgamento humano agrega mais valor?

Essas perguntas deslocam o debate do campo puramente técnico para o organizacional. O foco deixa de ser apenas a ferramenta e passa a incluir governança, papéis e expectativas.

O que será avaliado, e o que fica de fora

A Forrester anunciou que iniciará um levantamento de mercado com fornecedores de ferramentas de ASD, seguido por uma avaliação formal no segundo semestre. Embora o mercado esteja em rápida evolução, alguns padrões já se destacam.

Ferramentas enquadradas como ASD tendem a gerar e modificar código em múltiplos arquivos, compreender bases extensas, e não apenas o arquivo em edição, realizar refatorações preservando a intenção original, atualizar documentação, interagir por chat com contexto real de projeto e integrar-se a ambientes como IDEs, repositórios Git e pipelines de CI/CD.

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Outro ponto considerado essencial é a presença de mecanismos de revisão humana, como diffs, logs e pull requests, mantendo o profissional no circuito de validação.

Por outro lado, a Forrester deixa claro o que não será incluído na avaliação: construtores low-code ou no-code, ferramentas voltadas a desenvolvedores cidadãos, copilotos limitados a autocomplete e soluções de automação DevOps que não criam ou modificam código de aplicação.

A definição proposta delimita o ASD como prática orientada à construção e evolução de software por meio de código, e não à abstração completa dele.

Consolidação de uma nova categoria

Ao formalizar o conceito de agentic software development, a Forrester busca organizar um mercado que cresce rapidamente e cujo vocabulário ainda está em formação. A iniciativa pretende consolidar critérios de avaliação e acompanhar as transformações previstas para as próximas semanas e meses.

A consultoria também convida fornecedores que se enquadrem na definição a participarem do mapeamento, assim como engenheiros que queiram compartilhar experiências práticas, positivas ou negativas, com esse tipo de ferramenta.

Na visão apresentada, o futuro do ASD não será definido apenas por promessas de marketing ou projeções de longo prazo, mas pela aplicação concreta nas equipes de desenvolvimento e pelos resultados obtidos na prática profissional.

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