
Por Tiago Amor
A Inteligência Artificial está transformando os negócios em ritmo acelerado ao otimizar processos, ampliar a eficiência e acelerar decisões de negócio. Mas, à medida que essa adoção cresce, um alerta importante surge: em média, 8 em cada 10 empresas brasileiras ainda não possuem políticas de governança em IA. O dado é reforçado pelo relatório Cost of a Data Breach 2025, da IBM, que aponta que 87% das organizações no país ainda não adotaram práticas formais nesse sentido.
O mesmo estudo mostra que o custo médio de uma violação de dados no Brasil já chega a R$ 7,19 milhões. Esse cenário expõe o tamanho do risco quando empresas implementam IA sem estruturas claras de uso, supervisão e compliance.
A ausência de políticas de governança abre espaço para um fenômeno perigoso e muitas vezes invisível: a Shadow AI, prática que consiste no uso não autorizado ou sem supervisão de sistemas de IA dentro das organizações.
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Shadow AI: falta de governança em IA compromete a segurança das empresas
A Shadow AI se manifesta de forma silenciosa. Ela nasce quando um analista usa um chatbot público para gerar um relatório sensível, quando um gestor insere dados confidenciais em uma ferramenta de IA sem respaldo da TI, ou quando processos automatizados passam a operar sem rastreabilidade.
Mesmo quando movidos por boas intenções, esses usos expõem as empresas a vazamentos de dados, falhas de compliance e decisões fora do controle corporativo. Governança, neste contexto, não é burocracia.
É o que garante que a IA atue como um ativo de negócio.
Empresas com políticas de governança digital bem estruturadas reduzem significativamente o impacto de violações. O próprio relatório da IBM mostra isso: organizações que adotam tecnologias de governança de IA reduziram em média R$ 629 mil dos custos de violação de dados. Ou seja, o controle não freia a inovação, ele a torna sustentável.
Estratégias de grandes empresas para evitar Shadow AI
Boas práticas que já fazem parte da estratégia de empresas maduras para evitar Shadow AI incluem políticas de acesso com múltiplo fator de autenticação (MFA) e gestão dinâmica de perfis; segregação de ambientes, backups e infraestrutura segura; pentests recorrentes para garantir resiliência contra ameaças; além de registro e rastreabilidade de atividades, logs de eventos e histórico de processos automatizados.
Essas práticas, aliadas a um modelo de governança centralizado e transparente, garantem mais segurança e preservam a confiança de clientes, parceiros e órgãos reguladores.
O diferencial competitivo da próxima década: IA com governança
Vivemos um momento de “hype da IA”, onde múltiplos sistemas e modelos de inteligência artificial orquestram processos complexos em tempo real. Nesse cenário, o diferencial competitivo não estará apenas em adotar IA com velocidade, mas em equilibrar agilidade com segurança e controle.
Esse equilíbrio é o que define quais organizações vão prosperar com a IA, e quais estarão mais expostas a riscos e perda de confiança.
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